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Forró – A dança nordestina que conquistou os brasileiros


O forró é uma dança popular de origem nordestina. Esta dança é acompanhada de música, que possui o mesmo nome da dança. O estilo musical forró possui temática ligada aos aspectos culturais e cotidianos da região Nordeste do Brasil. Ela se caracteriza por ser acompanhada dos seguintes instrumentos musicais: triângulo, sanfona e zabumba.

A origem do nome forró tem várias versões, porém a mais aceita é a do folclorista e pesquisador da cultura popular Luis Câmara Cascudo. Segundo ele, o termo vem da abreviação de forrobodó, que significa arrasta-pé, confusão, farra. Embora seja tipicamente nordestino, o forró espalhou-se pelo Brasil fazendo grande sucesso. Foram os migrantes nordestinos que espalharam o ritmo, principalmente nas décadas de 1960 e 1970. Atualmente, existem vários gêneros de forró: eletrônico, tradicional, universitário e o forró pé de serra.

“Falando de forró em Fortaleza, o fato de aqui ter festa de forró de domingo a domingo não só estimula a preservar a cultura do forró, mas também incentiva as pessoas a aprenderem a dança”, destaca o professor de forró Robson Rodriguez, dono da Academia de Dança Arte & Movimento.

Ele ressalta que o forró é muito voltado à paquera; várias das pessoas que dançam forró são aquelas que querem paquerar e que querem, de alguma forma, usar a arte de sedução através de uma dança.

Segundo ele, um dos motivos da expansão do ritmo por todo o Brasil foi porque muitos músicos nordestinos saíram do Nordeste para a região Sul. O maior mestre deste gênero nasceu em Exu, no Pernambuco, o famoso Luíz Gonzaga; quando ele foi para o Sul a dança nordestina foi valorizada. A dança Nordestina não se valorizou porque é daqui mas porque é daqui e foi para o sul, então os nordestinos ainda sofrem muito com isso.

Tem, inclusive, uma música do Jackson do Pandeiro chamada “A ordem é samba”, que fala justamente sobre o preconceito que o forró sofreu, porque tinha uma época em que toda música tinha que ser samba pra fazer sucesso. Pouco tempo depois veio Ney Matogrosso e fez uma regravação moderna da canção e tirou o que a caracterizava, já que a música original falava sobre samba mas era cantada em ritmo de forró. Então a música era uma crítica para a época, explica Robson Rodriguez.

Para o professor de forró, além de Luíz Gonzaga ter ajudado muito a difundir o gênero pelo Brasil, outro fator foi a criação da Rede de Rádio Son Zoom Sat no final da década de 90, cujo dono era Emanuel Gurgel, também dono da banda cearense de forró Mastruz com Leite. “Aí ficou aquele ciclo: Mastruz com Leite, depois Forró Maior. O ciclo durou uns cinco anos, depois o forró cresceu muito nacionalmente.

Mastruz com Leite foi uma das principais bandas que fez com que o forró fosse mais reconhecido nacionalmente. O grupo inovou no estilo colocando instrumentos de sopro e o piano, diferenciando-de um pouco do forró tradicional, no qual os únicos instrumentos eram o triângulo, a sanfona e o zabumba.

O professor Rodriguez explica os elementos que não podem faltar na dança forró: dançar juntinho, abraçado; ter a sem-vergonhice – sem esse elemento não tem forró. Tanto o homem como a mulher têm que ter aquele momento sem-vergonha. Robson ainda afirma que não acha o forró sensual, ele acha a dança maliciosa.

O professor resalta que esse novo estilo de forró, mais conhecido como forró eletrônico, ameaça o forró tradicional, o pé de serra. Mas também afirma que sempre haverá espaço para os dois estilos. Em Fortaleza, o Kukukaya merece destaque por preservar o estilo tradicional de forró, que sempre procura trazer nomes conceituados, como Dorgival Dantas e Dominguinhos para tocar.

Dominguinhos, em uma reportagem, comentou que achava muito bom o forró eletrônico e que ele sai lucrando com isso, pois os turistas, ao chegarem ao Ceará, logo fazem a seguinte pergunta: quem realmente toca forró aqui? E a resposta não podia ser outra: Dominguinhos. Ele é quem realmente toca o forró pé de serra, afirma Robson Rodriguez.
“Atualmente o forró eletrônico está predominando, porque hoje tem essa coisa de forró que se dança e o forró que você vai para beber uísque. Há 10 anos você ia para um forró e via pessoas dançando muito bem. Aí os empresários viram que isso não dava dinheiro e começaram a introduzir novos ritmos ao forró, como por exemplo a swingueira da Bahia, batidas de salsa e até mesmo de funk. Então as pessoas deixaram de dançar e começaram a consumir mais bebidas e, consequentemente, os empressários passaram a lucrar mais. Hoje em dia uma pessoa gasta numa festa de forró, no mínimo 30 reais, fora o imgresso para a festa. Até as letras das música estão induzindo, não só ao consumo de bebidas, mas ao consumismo em geral. Inclusive tem um texto do Ariano Suassuna que critica o conteúdo nas novas musicas do estilo em questão. Nesse texto fica explícito que esse conteúdo, digamos assim ‘chulo’ das músicas atuais de forró não é culpa só das bandas, mas da nossa atual cultura e sociedade”.

Lucie.Barreira
Fonte: http://blogdolabjor.wordpress.com/2012/02/01/forro-a-danca-nordestina-que-conquistou-os-brasileiros/
Segunda, 18 de Agosto, 2014 por Lucie.Barreira
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