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Oh... Eu não tenho tempo para dançar!


A “falta de tempo” é a doença do século e são poucas as pessoas que, de uma maneira ou de outra, não se deixam afectar por esta patologia. A “falta de tempo” aparece-nos sem darmos conta, aliada ao trabalho, aos estudos, aos objectivos e às exigências da sociedade. É preciso ter muito cuidado com a “falta de tempo”! A “falta de tempo” instala-se devagarinho, um pouco mais todos os dias, e faz crer que se sobrepõe a todos os prazeres, actividades ou até ao próprio descanso. É fácil padecer de “falta de tempo”… Mas atentem os mais afectados: nalguns casos, é possível vencê-la! A dança é um desses casos. Tal como o riso e o pensamento, a dança consegue encaixar-se nos mais variados momentos do nosso “atempado” dia. Sem desculpas, seguem-se alguns exemplos.

De manhã e ao fim do dia vemo-nos presos (fatigados e desconfortavelmente ansiosos) no carro, no autocarro ou em qualquer outro meio de transporte. No entanto, o trânsito diário e a distância de percurso são situações mais do que excelentes para mexer a perna, ondular o braço ou até largar um saltinho entusiasmado, se a música assim o desejar. A som do rádio ou daquele cantarolar irritante que não lhe sai da cabeça, dance! Não é preciso muito para começar a sentir o movimento no corpo – depois, é deixar que ele o possua, só por um bocadinho, só naquele tempo.

Chegados ao trabalho, deparamo-nos com um dos momentos óptimos para dançar. De pé ou sentados, são muitas as horas que passamos no trabalho, é o maior tempo do dia! Aproveitando esse tempo tão disponível, podemos facilmente alegrar a semana e o esforço laboral com um pequeno exercício de dedos, de pescoço, de bater de pés ritmado por baixo da secretária (que ninguém vê!), que se sente em ânimo crescente, como um formigueiro incendiado que se alastra até que vence, na alma.

Durante o dia (ou para quem viaja a pé), encontramo-nos, muitas vezes, na rua. O andar na rua é o melhor dos tempos para dançar, porque parte do movimento já existe na caminhada. Falta agora a percepção de que ela pode, também, tornar-se uma dança. Mexa um pouco a anca, troque por vezes os pés e páre! E retome devagar… e mais depressa! E do início. Ande em salsa, em compasso, em batida desmedida! De vez em quando, levante um braço e olhe para o ombro com força. E volte a andar. E ande e dance. Sempre e para qualquer lugar, só com um movimento quase imperceptível de ombros – pode ser! -, mas com o ritmo na cabeça e no corpo.

Estes pequenos truques de prazer podem parecer ineficientes no combate à “falta de tempo”, mas a verdade é que, com esta dança, com estes acanhados momentos, é possível aumentar a concentração, aumentar a atenção, diminuir o cansaço físico e, e principalmente, o psicológico e assim aumentar a produtividade diária e fazer do tempo um pouco maior. Com mais tempo livre poderá, finalmente, assistir a umas aulas de dança, sair com os amigos para dançar ou entusiasmar-se em casa, em frente ao espelho, numa dança intemporal.

Ana Portocarrero
Segunda, 02 de Fevereiro, 2015 por Ana Portocarrero